Quando uma revista de moda dedica uma reportagem longa a covens, o assunto deixou de ser exótico. A Vogue publicou um perfil da cena de bruxaria de Los Angeles com foco em espaços, negócios e a função social que eles cumprem.
O centro da reportagem é o Witch's Cottage, em North Hollywood, tomado como exemplo de um circuito que combina covens, negócios metafísicos e espaços dedicados a ritual. São endereços com aluguel, agenda e clientela — infraestrutura, não misticismo difuso.
A ênfase da matéria recai sobre empoderamento e comunidade, especialmente para mulheres e pessoas LGBTQ+, para quem esses espaços funcionam como ambiente de acolhimento em uma cidade cara e dispersa.
O contraponto que a própria cobertura do setor levanta é o preço. Na mesma temporada, o debate sobre comercialização da bruxaria ganhou corpo com reportagens sobre retiros de milhares de dólares e sobre a chamada cultura da “bruxa de Instagram” — crítica formulada de dentro da própria comunidade pagã.
“São endereços com aluguel, agenda e clientela. Infraestrutura, não misticismo difuso.”— Síntese da apuração — Chaos Society
Cobertura de estilo é sinal de normalização
Quando o tema migra da editoria de religião para a de comportamento e moda, muda o público — e muda o preço.
Vale observar como o mesmo movimento começa a acontecer na imprensa brasileira de comportamento.