O Guardian publicou em 10 de junho de 2026 uma reportagem sobre a popularidade crescente de retiros de bruxaria entre mulheres norte-americanas, realizados no interior da Irlanda por cerca de US$ 3.000. A resposta mais afiada veio da própria comunidade pagã.
O programa dos retiros combina rituais, adivinhação, meditação, narração de histórias e cerimônias em floresta, conduzidos por Isabella Ferrari, conhecida como Penny the Witch. O pacote se apoia numa promessa de reconexão com a paisagem e com uma linhagem espiritual.
As críticas citadas na cobertura são específicas. Sara Amis questionou o custo, que exclui a maioria dos praticantes. Caroline Tully manifestou ceticismo quanto à comercialização e ao que descreve como cultura da “bruxa de Instagram”. Sorita d'Este tratou de um mal-entendido recorrente sobre o que praticantes politeístas de fato acreditam.
A frase de d'Este resume a divergência de fundo: para ela, o público confunde recusa ao monoteísmo com ausência de fé.
O episódio expõe uma fratura real do campo. De um lado, a profissionalização amplia acesso, gera renda e leva a prática a público novo. De outro, transforma em produto de luxo algo que historicamente circulava de graça, entre vizinhos, e cuja tradição irlandesa invocada nem sempre corresponde ao que é vendido.
“Na verdade, não deixamos de acreditar em Deus — apenas percebemos que há muitos deuses.”— Sorita d'Este, citada pelo The Wild Hunt
A briga é sobre preço, não sobre fé
A comunidade não está discutindo se a prática é válida. Está discutindo quem pode pagar por ela e quem lucra com a tradição alheia.
Antes de contratar retiro, verifique a linhagem declarada e o que exatamente está incluído no valor.