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A maior coleção de bruxaria da América do Norte foi montada pelo reitor de uma universidade — para provar um ponto.

Mais de 3.000 itens do século XV em diante, incluindo manuais de caça às bruxas e transcrições de julgamentos, guardados em Cornell.

photo of index of 1574 printing of Malleus Maleficarum (1486) taken by me yesterday afternoon, Jan 6, 2023, in the reading room of Harvard's Houghton Library
Foto: Index of a 1574 printing of Malleus Maleficarum · Lewismr · CC BY-SA 4.0 — via Wikimedia Commons
Por Chaos Society 5 min de leitura Fonte: Cornell University Library — Division of Rare and Manuscript Collections

Andrew Dickson White, primeiro reitor da Universidade Cornell, passou décadas comprando livros de demonologia. Não por devoção: ele queria documentar, com as próprias fontes, o que considerava o custo histórico da superstição institucionalizada. O resultado é hoje a maior coleção de bruxaria da América do Norte.

A Cornell Witchcraft Collection reúne mais de 3.000 itens que vão do século XV até o presente. O núcleo é formado por manuais de caça às bruxas, tratados de demonologia, transcrições manuscritas de julgamentos europeus e coleções de feitiços — material que, na época em que circulou, funcionava como literatura técnica de tribunal.

Entre as peças estão o primeiro livro sobre bruxaria já impresso e a primeira imagem impressa de bruxas em voo. A montagem, iniciada no século XIX, tinha propósito polêmico: White escrevia sobre o conflito entre teologia dogmática e ciência e usava o acervo como prova documental.

A exposição “The World Bewitch'd: Visions of Witchcraft from the Cornell Collections” organizou esse material em torno de estereótipos de gênero, crença no voo noturno, metamorfose, pactos demoníacos e a mecânica das epidemias de acusação. Boa parte do conteúdo permanece disponível na versão on-line mantida pela biblioteca.

A curiosidade que fica é de ordem prática: o acervo que hoje serve a pesquisadores de história da magia foi comprado por um cético militante querendo provar o oposto. A coleção sobreviveu ao argumento.

“Do século XV ao XX, o mesmo acervo serviu ao promotor, ao cético e ao estudioso de magia.”— Síntese da apuração — Chaos Society

O arquivo importa mais que a tese de quem o montou

Coleções assim são a razão de a história da bruxaria europeia ser reconstituível hoje com nomes, datas e processos — em vez de depender de folhetim.

Para quem pesquisa, o caminho é o acervo digitalizado da própria universidade, aberto e sem custo.

#Cornell #Demonologia #Arquivo #HistóriaDaBruxaria

Fontes primárias, não folclore de internet

A Biblioteca da Chaos Society indica onde encontrar acervos abertos de demonologia, julgamentos e magia cerimonial. Acesso gratuito.

Ver o acervo

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