Em novembro de 2025, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania lançou o relatório final e o caderno informativo do projeto “Respeite Meu Terreiro”, com casos de intolerância religiosa mapeados em 255 terreiros de todas as regiões do Brasil.
A metodologia é o que diferencia o documento. Em vez de trabalhar apenas com denúncia recebida por canal oficial, o levantamento foi até as casas — o que permite captar violações que nunca chegariam ao Disque 100, por medo, desconhecimento ou desconfiança em relação ao Estado.
O material combina relatório analítico e caderno informativo, formato pensado para uso pelas próprias comunidades: serve como registro de pesquisa e, ao mesmo tempo, como instrumento prático para quem precisa saber o que fazer diante de uma violação.
Os dados dialogam com o quadro do Disque 100 no período seguinte: 2.774 denúncias entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, com umbanda e candomblé no topo das religiões identificadas e mulheres como principais vítimas.
O reconhecimento estatal do problema tem efeito prático mensurável. Ele sustenta decisões como o tombamento de terreiros em São Paulo, a proteção da festa de Iemanjá em Florianópolis e a revisão dos protocolos de abordagem policial no Paraná.
“O levantamento foi até as casas. É assim que se registra a violação que nunca chegaria a um canal oficial.”— Síntese da apuração — Chaos Society
Sem dado não há política
O mapeamento em 255 terreiros deu ao tema a base empírica que faltava para justificar medidas administrativas concretas.
O caderno informativo é público e pode ser usado por qualquer casa como material de orientação.