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Religiões Afro-Brasileiras Brasil

A festa de Iemanjá do Campeche virou patrimônio cultural de Florianópolis por decreto.

O “Presente de Iyemojá Iyá Leke” passou a ser Patrimônio Cultural Imaterial pelo Decreto nº 29.140/2026.

imagens diversas capturadas durante a festa de Iemanjá, bairro do iIo Vermelho, Salvador - BA, em 2 de fevereiro de 2019.
Foto: Festa de Iemanjá 2019 by Kátia C. Oliveira 037 · Ajmcbarreto · CC BY-SA 4.0 — via Wikimedia Commons
Por Chaos Society 4 min de leitura Fonte: ND Mais

A celebração realizada todo ano no bairro Campeche, no sul da Ilha de Santa Catarina, deixou de depender de boa vontade administrativa: foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Florianópolis por decreto municipal.

O reconhecimento veio pelo Decreto nº 29.140/2026, publicado pela prefeitura. A festa, conhecida como Presente de Iyemojá Iyá Leke, reúne oferendas, cortejo e devoção, e é uma das expressões mais visíveis das religiões de matriz africana na capital catarinense.

O efeito do tombamento imaterial é jurídico e prático. Ele obriga o poder público a considerar a celebração em decisões de uso do espaço, dificulta a interdição arbitrária da praia no dia da festa e cria base legal para políticas de salvaguarda — desde apoio logístico até proteção contra tentativas de impedimento.

A decisão se soma a um movimento nacional. Em Belo Horizonte, as festas de Iemanjá e dos Pretos Velhos já haviam sido reconhecidas como patrimônio municipal; em Fortaleza, a festa de Iemanjá foi tombada como patrimônio imaterial em 2018.

Em contexto de intolerância religiosa persistente, o instrumento do patrimônio vem sendo usado como escudo administrativo: é mais difícil hostilizar oficialmente uma celebração que consta como bem cultural protegido do município.

“Patrimônio imaterial funciona como escudo administrativo: é mais difícil interditar o que consta como bem cultural do município.”— Síntese da apuração — Chaos Society

Tombamento virou ferramenta de liberdade religiosa

O que era instrumento de política cultural passou a operar como proteção concreta contra intolerância.

Comunidades de terreiro que ainda não buscaram reconhecimento têm aqui um precedente municipal recente para citar.

#Iemanjá #Florianópolis #Patrimônio #Campeche

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