Em sua 844ª Reunião Ordinária, realizada em 25 de maio de 2026, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo aprovou o tombamento de quatro terreiros de religiões de matriz africana da capital.
As casas protegidas são o Ilê Dara Asè Òsún Eyin, em Sapopemba; o Ilê Asé Omo Igbo Omi, em Ermelino Matarazzo; o Terreiro de Candomblé Abassá Oxum Oxóssi, no Cangaíba; e o Terreiro de Candomblé Santa Bárbara, na Brasilândia.
A decisão reconhece o valor histórico, cultural, religioso e social dos espaços. Todos ficam em bairros periféricos da zona leste e da zona norte — território onde a pressão imobiliária e a vulnerabilidade a hostilidade de vizinhança são maiores.
É aí que está o efeito concreto do tombamento. Ele protege o imóvel contra demolição e descaracterização, o que na prática significa proteger também as árvores, as fontes de água e a disposição do terreno, elementos que integram o rito e não podem ser reproduzidos em outro endereço.
O ato dialoga com o quadro nacional de intolerância: entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, São Paulo liderou as denúncias de intolerância religiosa no Disque 100, com 667 registros.
“Tombar o terreiro é tombar as árvores, a água e a disposição do terreno — o rito não se muda de endereço.”— Síntese da apuração — Chaos Society
Proteção patrimonial chegou à periferia
Tombamento sempre foi instrumento de centro histórico. Aplicá-lo a casas de candomblé em bairro periférico muda quem o Estado reconhece como patrimônio.
O processo do CONPRESP é público e serve de modelo para pedidos em outras capitais.