A Polícia Militar do Paraná anunciou que revisará seus protocolos de abordagem em terreiros após denúncias de intolerância religiosa envolvendo casas de religiões de matriz africana no estado.
O anúncio responde a um problema recorrente e mal medido: a abordagem policial em espaço religioso, muitas vezes motivada por denúncia de vizinhança sobre som de atabaque ou uso de animais, e conduzida sem qualquer parâmetro específico sobre o que é rito protegido por liberdade religiosa.
A revisão de protocolo é o tipo de medida que raramente vira manchete e costuma ter efeito prático maior que declaração institucional. Ela define o que o agente pode ou não fazer ao entrar em um terreiro, e cria referência para responsabilização quando o limite é ultrapassado.
O caso se encaixa em um quadro nacional com números. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o Disque 100 registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa, com umbanda e candomblé no topo das religiões identificadas entre as vítimas.
Na esfera federal, praticantes de candomblé e umbanda já levaram à Câmara dos Deputados denúncias de discriminação praticada pelo próprio Estado — categoria em que a abordagem policial ocupa posição central.
“Protocolo de abordagem define, na prática, o que um agente pode fazer ao entrar num terreiro.”— Síntese da apuração — Chaos Society
A intolerância também é operacional
Boa parte das violações não vem de discurso, e sim de procedimento — o que significa que se corrige com norma escrita e treinamento.
Casas de religião podem exigir a publicação do protocolo revisado e usá-lo como referência em ocorrências.