Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o Disque 100 registrou 2.774 denúncias relacionadas a intolerância religiosa no Brasil. Só nos primeiros dias de janeiro de 2026 já eram 51 registros.
A distribuição por religião identificada é a parte mais dura do levantamento. As tradições de matriz africana concentram os maiores volumes: umbanda com 228 registros, candomblé com 161, casos classificados como “umbanda e candomblé” com 47 e outras religiosidades afro-brasileiras com 40.
Por unidade da federação, São Paulo lidera com 667 denúncias, seguido do Rio de Janeiro com 446, Minas Gerais com 323 e Bahia com 211. O recorte de vítimas aponta as mulheres praticantes de religiões de matriz africana como alvo preferencial.
É preciso ler o número com o cuidado que ele exige. Denúncia registrada não equivale a caso ocorrido: mede quem teve acesso ao canal, conhecimento do direito e disposição para acionar o Estado. O subregistro em violação religiosa é notoriamente alto.
Como resposta, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania lançou em novembro de 2025 o relatório final e o caderno informativo “Respeite Meu Terreiro”, que mapeou casos de intolerância contra religiões de matriz africana em 255 terreiros de todas as regiões do país.
“Umbanda: 228. Candomblé: 161. As tradições de matriz africana concentram os maiores volumes de denúncia.”— Disque 100 / MDHC — dados oficiais
O número é o piso, não o retrato
Denúncia mede acesso a canal e confiança no Estado. Onde ambos faltam, a violência não aparece na planilha.
Casos podem ser registrados pelo Disque 100 — o canal é gratuito, funciona 24 horas e aceita denúncia anônima.