Margot Susanna Adler cobria notícia para a rádio pública americana durante o dia e presidia rituais wiccanos fora do expediente. Nascida em 16 de abril de 1946, teria completado 80 anos em 2026 — data lembrada pelo Circle Sanctuary.
A biografia tem uma nota que costuma surpreender: ela era neta de Alfred Adler, o psiquiatra vienense fundador da Psicologia Individual. Filha do psiquiatra Kurt Alfred Adler e de Freya Adler, cresceu num ambiente intelectual que não tinha nada de esotérico.
Nos anos 1970 estudou bruxaria com o New York Coven of Welsh Traditional Witches e, em 1976, foi iniciada como sacerdotisa wiccana em um coven gardneriano. A partir de 1982 passou a praticar de forma solitária — trajetória que antecipou o padrão majoritário do paganismo contemporâneo.
Sua obra central, “Drawing Down the Moon”, publicada em 1979 e revista em 1986 e 2007, é descrita como um dos estudos mais completos e lidos sobre o paganismo contemporâneo. Foi o livro que deu ao campo um mapa de si mesmo, feito com método de repórter e não de devota.
Adler participou, em 2007, da dedicação do primeiro marcador memorial wiccano-cristão no Cemitério Nacional de Arlington, em colaboração com Barry W. Lynn, da Americans United for Separation of Church and State — episódio que se conecta diretamente à disputa atual sobre códigos religiosos militares nos Estados Unidos. Morreu em 2014, de câncer endometrial.
“Foi o livro que deu ao paganismo contemporâneo um mapa de si mesmo — feito com método de repórter, não de devota.”— Síntese da apuração — Chaos Society
Jornalismo dentro da própria comunidade
Adler provou que era possível cobrir o próprio meio com rigor: ela documentou divergências, fraudes e disputas internas sem abandonar a prática.
“Drawing Down the Moon” continua sendo a porta de entrada mais honesta para quem quer entender o paganismo moderno.