A Abadia Departamental de Daoulas, na Bretanha, montou uma exposição que trata a bruxa como construção histórica — e conseguiu empréstimos de peso para provar o argumento.
“Ma sorcière mal nommée — Pouvoir et Magie au féminin”, algo como “Minha bruxa mal nomeada — Poder e Magia no feminino”, examina a figura da bruxa através de culturas e períodos diferentes. Fica em cartaz até 29 de novembro de 2026.
O acervo reunido inclui obras raras cedidas pelo Louvre, pelo Musée du quai Branly–Jacques Chirac, pelos Arquivos Nacionais da França e pela Biblioteca da Assembleia Nacional. É um conjunto institucional pouco usual para o tema, e sinaliza a entrada definitiva do assunto no circuito museológico de primeira linha.
O percurso curatorial percorre três papéis que a mesma figura acumulou: curandeira e xamã, guardiã de conhecimento; alvo preferencial dos processos de bruxaria; e, no século XX e XXI, símbolo feminista. O título aponta para a tese — o nome “bruxa” foi atribuído de fora, quase sempre por quem julgava.
“O título da exposição já é a tese: o nome “bruxa” foi quase sempre atribuído de fora, por quem julgava.”— Síntese da apuração — Chaos Society
O tema saiu da margem e entrou no circuito
Quando Louvre e quai Branly emprestam peças, o assunto deixa de ser curiosidade sazonal de outubro e vira agenda curatorial.
Para quem estuda o arquétipo, exposições como esta são atalho raro para ver as fontes visuais reunidas.