Quando alguém afirma que a bruxaria é “a religião que mais cresce”, a frase costuma vir sem número. Os números existem, são públicos e contam uma história mais interessante do que o slogan.
No censo de 2021/22 do Reino Unido, 126.980 pessoas se declararam pagãs — 0,2% da população. Dentro desse total, 93.686 marcaram “Pagan”, 13.056 marcaram “Wicca” e 7.904 marcaram “Shamanism”. Em 2011, os equivalentes eram 56.620 pagãos e 11.766 wiccanos.
Nos Estados Unidos não há censo religioso obrigatório, e por isso a variação é grande. O American Religious Identification Survey registrou salto de 134 mil para 340 mil wiccanos entre 2001 e 2008. O Religious Landscape Study do Pew Research Center estimou, em 2014, 0,3% da população — perto de um milhão de pessoas — entre wiccanos e pagãos. Estimativas mais recentes falam em cerca de 800 mil wiccanos e até 1,5 milhão de praticantes de bruxaria.
A diferença entre as faixas não é erro de conta: é definição. Censo mede autodeclaração numa casinha de formulário; a prática contemporânea é majoritariamente solitária, sem congregação, sem registro e frequentemente sem rótulo. Quem pratica magia mas responde “sem religião” some da estatística.
É o mesmo fenômeno que os pesquisadores brasileiros descrevem para as religiões de matriz africana: parte do crescimento medido entre censos corresponde menos a conversão e mais a gente que passou a se sentir segura para declarar o que já praticava.
“Censo mede quem se declara. A prática contemporânea é solitária, sem congregação e frequentemente sem rótulo.”— Síntese da apuração — Chaos Society
O crescimento é real, a métrica é ruim
Todos os indicadores disponíveis apontam para alta consistente em duas décadas. Nenhum deles foi desenhado para captar prática religiosa sem instituição.
Ao ler estatística sobre bruxaria e paganismo, verifique sempre se o número mede autodeclaração, filiação ou consumo de produto — são três coisas diferentes.