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Decifraram uma maldição de 1.900 anos escrita em grego, com magia egípcia, na Holanda.

A tábua de chumbo achada em Heerlen invoca divindades contra um desafeto e cita quatro companheiros de escravidão pelo nome.

A probable Roman lead alloy curse tablet ( defixio ). The object is formed of a sheet of lead alloy which has been folded over multiple times. There is a square hole through it, slightly off centre, through which an iron nail would have passed. The lead is a light grey in colour. No text is visible
Foto: A probable Roman lead alloy curse tablet (defixio). (FindID 778592) · Colchester and Ipswich Museum Service, Ben Paites, 2016-04-13 15:30:00 · CC BY-SA 2.0 — via Wikimedia Commons
Por Chaos Society 6 min de leitura Fonte: Archaeology Magazine

Pesquisadores da Universidade de Heidelberg decifraram uma tábua de maldição do século II d.C. encontrada em escavações no município holandês de Heerlen — a Coriovallum romana, na província da Germânia Inferior. O conteúdo é mais estranho que o esperado para a região.

Tábuas de maldição — tabella defixionis em latim, katadesmos em grego — eram lâminas finas de chumbo inscritas com invocações a divindades e espíritos para agir contra alguém. Enrolavam-se, perfuravam-se com prego e depositavam-se em túmulo, poço ou fonte, para chegarem ao destinatário sobrenatural.

O que torna a peça de Heerlen notável é a mistura. O texto está em grego antigo, mas segue fórmulas de estilo egípcio — combinação rara nesta parte do Império. Além das invocações, a leitura identificou três charaktêres, os sinais mágicos sem equivalente alfabético usados na magia greco-egípcia, e os nomes de quatro companheiros de escravidão do autor.

A leitura só foi possível com RTI, a técnica de imageamento por transformação de reflectância, que fotografa a superfície sob dezenas de ângulos de iluminação e recompõe o relevo digitalmente. Em chumbo corroído por dezenove séculos, é a diferença entre um borrão e um texto.

O achado documenta o que os historiadores da religião antiga chamam de sincretismo operacional: um habitante de uma cidade de fronteira no norte da Europa usando fórmula egípcia, escrita em grego, contra um desafeto local. A magia antiga circulava como tecnologia — importada, adaptada e aplicada onde desse resultado.

“Fórmula egípcia, escrita em grego, usada contra um desafeto numa cidade de fronteira no norte da Europa.”— Síntese da apuração — Chaos Society

A magia antiga viajava como tecnologia

Peças como esta mostram que fórmulas mágicas cruzavam o Império mais depressa que doutrinas — e eram adaptadas por quem tinha menos poder, não mais.

Para quem estuda magia greco-egípcia, o corpus de defixiones continua sendo a fonte mais direta de prática real, não de teoria.

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Magia greco-egípcia na fonte

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